Abril 20, 2017

Apresentação EBB XXI Edição

ENCONTROS DE BASTO E BARROSO – 21.ª Edição – Mondim de Basto

09 de abril 27 de junho 2018

A relação entre a aprendizagem e a tecnologia coloca-se, inevitavelmente, na realidade escolar contemporânea, perspetivada como um problema ou como uma oportunidade, numa ambivalência que merece e urge ser pensada e resolvida pedagogicamente.

De facto, impõe-se entender e atender a esse novo cenário com que se cruza a tarefa de educar, até porque os gadgets digitais fazem parte da identidade funcional dos alunos, constituindo-se como uma naturalizada extensão artificial do humano, pelo que contar ou não com a dimensão tecnológica que aportam não é uma opção. A designação, já gasta e pouco entendida, das novas gerações como nativos digitais não pressupõe apenas o domínio aparentemente inato de competências de usabilidade destas ferramentas, pois ela implica sobretudo uma revolução na forma de pensar o mundo e construir conhecimento, para além da exponencial abertura da vertente comunicacional. A verdade é que as crianças e os jovens que se sentam à nossa frente nas salas de aula têm características de funcionamento cognitivo e psicossociais próprias, resultantes dessa nova moldura do que é ser numa realidade pluralizada por experiências multimodais, com uma tendencial apetência para uma aprendizagem enquanto rede de sentidos significantes.

É neste contexto que emerge o embate entre a mundivisão dos professores (ainda muito vinculados a óticas didáticas que enfatizam as modalidades de ensinar, numa lógica vertical professor-aluno) e dos alunos (em deriva do que é aprender numa escola formal, em que ainda se movem, mas que a maioria já não reconhece como lugar privilegiado do saber). Para evitar uma colisão fraturante que ameaça inviabilizar a missão da escola – que deve ser ainda e cada vez mais, mesmo na sua eventual e necessária mutabilidade, palco do florescimento de capacidades, saberes e atitudes ao serviço do crescimento individual e promoção da harmonia social, assente em valores de cidadania ativa e paridade democrática – cabe aos professores a clarividência de participar criticamente deste processo de transformação. 

E, chegados a essa consciencialização, torna-se evidente que a formação terá de ser o caminho, o único possível, de busca dessa alquimia do problema num desafio pleno de oportunidades. Nesse horizonte expectado, a tecnologia deixará de ser sentida como uma ameaça ao modelo de aula lecionada por um(a) professor(a) para uma plateia de alunos assimiladores de conteúdos (em que os recursos digitais não acrescentam nada ao que já lá havia para além da suposta motivação que não chega a ser), ganhando sentido como instrumento ancilar de ambientes de aprendizagem em que os alunos sejam os verdadeiros protagonistas enquanto agentes construtores dos conhecimentos e do desenvolvimento de competências (com o processo, como se aprende, a ser mais relevante do que os conteúdos específicos de aprendizagem, esses que tanto obcecam a classe docente e que se esvaziam de sentido em si mesmos, porque compartimentados e com prazo de validade limitado).

Com este seminário, o Centro de Formação de Basto procura dar o seu contributo para a reflexão conducente à evolução das práticas pedagógicas integrando esta poderosa e inquietante conquista civilizacional, pois, se é certo que as bandeiras da inovação e diferenciação pedagógica não se esgotam, de forma alguma, na integração das tecnologias digitais, é, por outro lado, indiscutível que elas potenciam as muitas formas de as pôr em prática e de paulatinamente participarmos na mudança de paradigma da educação, essencial para cumprir o desígnio de formar os cidadãos de um mundo em vertiginosa evolução.